Caixa responde Gaviões da Fiel sobre detalhes da dívida da arena

Em uma reunião realizada na última sexta-feira (14), a Caixa Econômica Federal negou o pedido da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, para acessar detalhes do acordo de pagamento da dívida referente à construção da Neo Química Arena. A informação foi confirmada pela instituição financeira à coluna do UOL.

Reunião e Objetivos

Os representantes da Gaviões da Fiel procuraram a Caixa para discutir a possibilidade de ajudar o Corinthians no pagamento da dívida da arena, inclusive considerando a organização de uma vaquinha. A torcida deseja entender melhor os termos do acordo para contribuir de forma eficaz.

Resposta da Caixa

A Caixa Econômica Federal, no entanto, não revelou informações detalhadas sobre o acordo. O banco apenas confirmou que o Corinthians continua pagando a dívida de forma parcelada, sem entrar em especificações adicionais sobre valores, prazos ou condições.

Situação Atual da Dívida

A dívida da Neo Química Arena é um tema sensível e de grande interesse para a torcida corintiana. A construção do estádio, um dos mais modernos do Brasil, foi financiada com um empréstimo significativo da Caixa, e a gestão dessa dívida tem sido motivo de preocupação e discussão entre os torcedores e a diretoria do clube.

Foto: José Manoel Idalgo/ Ag. Corinthians

Próximos Passos

Apesar da negativa da Caixa, a Gaviões da Fiel continua buscando formas de auxiliar o Corinthians na quitação dessa dívida. A torcida organizada pretende se reunir novamente com a diretoria do clube para explorar outras possibilidades de contribuição, reafirmando seu compromisso com a saúde financeira do Timão.

Importância da Transparência

Para muitos torcedores, a transparência na gestão das finanças do clube é fundamental. O acesso a informações detalhadas sobre o acordo da dívida permitiria uma compreensão melhor da situação e fortaleceria a confiança entre a torcida, a diretoria e as instituições financeiras envolvidas.

Conclusão

A negativa da Caixa Econômica Federal em revelar detalhes do acordo de pagamento da dívida da Neo Química Arena à Gaviões da Fiel frustra as expectativas da torcida organizada. No entanto, a determinação dos torcedores em ajudar o Corinthians segue firme, demonstrando mais uma vez a paixão e o compromisso da Fiel com o clube.

Reprodução

De sonho a pesadelo: A dívida bilionária do Corinthians com a Arena

Quando Andrés Sanchez, em seu primeiro mandato como presidente do Corinthians, anunciou a construção do estádio do clube em 1º de setembro de 2010, afirmou que a obra custaria R$ 335 milhões. No ano seguinte, a arena em Itaquera, na zona leste de São Paulo, foi anunciada como o local da abertura da Copa do Mundo de 2014. Na época da inauguração do campeonato, o preço final da obra havia saltado para R$ 985 milhões (R$ 1,9 bilhão em valores corrigidos), bem acima do custo original.

Aumento dos Custos Parte desse aumento é atribuída às estruturas provisórias que o estádio teve durante o Mundial, como as arquibancadas temporárias que aumentavam a capacidade de 48 mil para 64 mil lugares. O Corinthians não jogou no local antes da remoção dessas estruturas.

Dívida e Disputas Internas Durante anos, o cálculo exato da dívida pela nova arena foi motivo de disputas internas no Parque São Jorge. Em 2019, uma comissão do Conselho Deliberativo apontou que o clube devia R$ 1,03 bilhão à Odebrecht, construtora responsável pela obra, além do financiamento com a Caixa Econômica Federal. Andrés Sanchez contestou esse valor, alegando que partes da obra não foram concluídas e que o clube havia repassado cerca de R$ 380 milhões à Odebrecht por meio de CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento). Em setembro daquele ano, a Odebrecht e o Corinthians anunciaram um acordo para encerrar a dívida, com o clube concordando em pagar R$ 160 milhões.

Estrutura Financeira do Projeto O projeto original do estádio era de autofinanciamento. A Odebrecht pagaria pela obra com seus recursos e recuperaria o dinheiro com receitas geradas pela arena. O financiamento incluía um empréstimo da Caixa no valor de R$ 400 milhões e os CIDs cedidos pela prefeitura, estimados em R$ 420 milhões. Receitas da exploração comercial da arena, como a venda dos “naming rights”, eram esperadas para ajudar no pagamento da dívida, mas a demora para concretizar essas vendas inflacionou a dívida com a Caixa.

Dívida Atual De acordo com um relatório da consultoria EY divulgado no final de maio, o clube ainda deve R$ 703 milhões à Caixa. A dívida é reajustada pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 2% ao ano. Em 2023, o clube começou a pagar apenas os juros do financiamento, com o valor principal começando a ser quitado a partir de 2025. O Corinthians tem até 2041 para quitar o débito.

Impacto na Saúde Financeira do Clube A dívida bilionária impacta significativamente a saúde financeira do Corinthians. O clube estima que já tenha pago R$ 265 milhões ao banco estatal. A consultoria EY aponta que, ao somar essa dívida com outras, o montante total é de R$ 1,58 bilhão, fazendo do Corinthians o clube mais endividado do país. A diretoria atual considera a quitação dessa dívida essencial para liberar receitas da arena e melhorar a situação financeira do clube.

Bruno Teixeira/Agência Corinthians