Athletico vai mudar nome de estádio para Mario Celso Petraglia

O Athletico-PR pode mudar o nome de seu estádio. O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Aguinaldo Coelho de Farias, convocou uma reunião extraordinário do Conselho Deliberativo, a ser realizada no dia 26 de fevereiro, em formato presencial, na Ligga Arena, para debater o tema.

Durante a sessão, será discutida a alteração do artigo 99 do Estatuto Social para mudança da nomenclatura oficial do “Estádio Joaquim Américo Guimarães” para “Estádio Mario Celso Petraglia”.

Petraglia é o atual presidente do Athletico-PR. Ele está no clube desde 1984, quando assumiu o posto de diretor. Desde então, ele se tornou uma figura cada vez mais importante para a equipe.

Atualmente, o Estádio Joaquim Américo Guimarães é conhecido como Ligga Arena, devido a venda dos naming rights.

Veja a nota do Athletico-PR na íntegra

O Presidente do Conselho Deliberativo do Club Athletico Paranaense (CAP), com espeque no artigo 54, incisos II, “a” do Estatuto Social, convoca REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA do Conselho Deliberativo, a ser realizada no dia 26 de fevereiro de 2024 (segunda-feira), em formato presencial, no Estádio Joaquim Américo Guimarães (Rua Buenos Aires, 1.160, bairro Água Verde, Curitiba – PR), às 18h30min em primeira convocação e, às 19h00min em segunda convocação, com qualquer número de conselheiros presentes, para deliberação da seguinte Ordem do dia:

a) alteração do artigo 99 do Estatuto Social para mudança da nomenclatura oficial do “Estádio Joaquim Américo Guimarães” para “Estádio Mario Celso Petraglia”; e

b) assuntos gerais.

Curitiba, 19 de fevereiro de 2024.

Aguinaldo Coelho de Farias
Presidente do Conselho Deliberativo

Quem era Petraglia antes de chegar no Athletico?

Mario Celso Petraglia e Felipão no Athletico em 2023

Mario Celso Petraglia completou 80 anos no domingo, sendo que quase quatro décadas estão ligadas diretamente ao Athletico. O dirigente polêmico, ambicioso e visionário, querido por jogadores, avesso à imprensa e responsável por mudar o patamar do Furacão.

Gaúcho de Cruzeiro do Sul, Mário Celso Petraglia se mudou para Curitiba na infância. O pai, José Benito Petraglia nasceu em Paysandu, a 378 quilômetros de Montevideu, no Uruguai, e era técnico de balas, doces e chocolates. A mãe, Maria Etlin de Petraglia, nasceu na área rural de Rivera, também no Uruguai, e estudou medicina. Em 1930 eles se mudaram para o Brasil para fugir da crise econômica, na busca por um futuro melhor.

Petraglia nasceu no dia 11 de fevereiro de 1944, o oitavo de dez irmãos. Quando criança, estudou no Colégio Estadual do Paraná. Não era um aluno exemplar em notas, e por isso reprovou na 1ª e na 2ª série do segundo grau. Desanimado, Petraglia ficou um ano longe dos estudos até se matricular no Instituto de Educação do Paraná.

Desde os 12 anos, Petraglia já ajudava a família nas finanças. Trabalhando e estudando ao mesmo tempo, ele conseguiu se formar na Faculdade de Direito de Curitiba, e se especializou em administração.

Em 1971, Petraglia iniciou a carreira como diretor financeiro na Enco Engenharia Comércio. Uma carreira que teve sequência na Inebrasa e na Inepar. Nesta última, uma das maiores empresas de infraestrutura do Brasil, ele tornou-se sócio minoritário. Foi ali que Petraglia conheceu alguns dos homens mais poderosos do Paraná, como Ophir Woitoviz, Algaci Tulio e Jaime Lerner.

Futebol e politica andam lado a lado no Paraná, e no Brasil. Temos inúmeros exemplos de cartolas que foram deputados ou senadores. O relacionamento político de Petraglia foi essencial para o Athletico, ele soube usar os contatos dele para fazer as coisas acontecerem a favor do clube.

explica Filipe Andretta, jornalista e advogado criador do documentário ‘Senhor da Razão?’, sobre Mário Celso Petraglia.

— Conheço o Petraglia desde a fase empresarial, até a parte política e depois no futebol. O futebol sempre foi muito presente na vida dele. Sempre foi um financista de mão cheia, sabe como fazer as coisas – lembra Cássio Taniguchi, ex-prefeito de Curitiba.

— Ele sempre foi muito empreendedor e um apaixonado por tudo que fazia. Foi companheiro nosso nas campanhas do Lerner. Vejo o Athletico como uma das glórias da cidade de Curitiba, por mais que seja o grande rival do meu Coritiba… não guardo rancor – brinca Rafael Greca, prefeito de Curitiba.

Petraglia já fazia parte da retaguarda atleticana desde 1970, e em 1984 foi convidado por Valmor Zimermann para fazer parte da diretoria do clube. Um empresário em construção, diante de um Athletico afundado em dívidas e sem o patrimônio que tem hoje.

Em 1994, Petraglia foi coordenador e tesoureiro da campanha do governo de Lerner. No ano seguinte, começa a Revolução Atleticana. Ele estava pronto. Em 1995, Petraglia assume a presidência do Athletico pela primeira vez.

— Todo gênio é difícil. O gênio é uma pessoa diferenciada intelectualmente e preparada para muitas realizações. O relacionamento do dia-a-dia e as relações sociais não são as mesmas de pessoas comuns – crava o cronista esportivo Carneiro Neto.

O Mário era muito poderoso politicamente e eu achava que com ele conseguiríamos dar um “up”, um salto, para sair do marasmo que foi de 1995 para trás. Sempre atrás de dinheiro, com jogador mais ou menos, um time medíocre. 1995 foi um marco divisório do Athletico.

lembra Hussein Zraik, último presidente do Athletico antes de Petraglia.

O segundo episódio da série sobre os 80 anos de Petraglia explica, nesta quarta-feira, por que Petraglia diz ter transformado um “time de bairro” em um clube que incomoda gigantes brasileiros e da América do Sul.

Mário Celso Petraglia é sinônimo de ambição, entusiasmo, inovação e rebeldia, e símbolo de uma nova era no Athletico, a partir das conquistas do Campeonato Brasileiro (2001), da Copa do Brasil (2019) e da Sul-Americana (2018 e 2021).

Dinheiro? Intensidade? Porque a era Petraglia aposta em um elenco jovem?

Uma das principais filosofias do Athletico desde o início da “Era Petraglia” foi a opção por equipes de baixa média de idade. Os motivos são diversos: um modelo de jogo que exige velocidade e alta intensidade; o custo menor de investimento; a chance maior de lucro em uma revenda; e a possibilidade de realizar apostas menos arriscadas financeiramente. Essa receita se reforça com o mercado da bola rubro-negro até agora, não só em quem está chegando, mas também em quem está indo embora.

O Athletico decidiu não renovar contrato com quatro jogadores. À exceção de Thiago Andrade, que tem 23 anos e estava por empréstimo junto ao New Tork City, os liberados são veteranos. Bruno Peres, 32 anos, acabou sendo o pior negócio da temporada do Furacão. Arturo Vidal, 36 anos, irritou o clube ao se mostrar desinteressado. E Willian Bigode, 37 anos, até teve seus momentos, mas o custo-benefício não foi o ideal. Vidal está com um acerto encaminhado com o Boca Juniors e Willian deverá ir para o Santos.

“Era pra ter respondido ontem!”; Athletico espera Domènec Torrent

Esta quarta-feira (20) tem caráter decisivo para o Athletico. Com uma proposta em mãos e duas conversas com dirigentes, o técnico espanhol Domènec Torrent deve dar hoje uma resposta ao presidente Mário Celso Petraglia. “Plano A” do Furacão desde o início da movimentação do mercado da bola, o ex-auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City agradou nas reuniões, e a expectativa é que feche contrato de um ano com o Rubro-Negro.

Apesar do interesse antigo e confessado por Cuca, o treinador – e torcedor do Athletico – não volta a trabalhar enquanto estiver buscando a revisão da condenação que teve na Suíça por ato sexual e coação, no final dos anos 1980. Assim, o Furacão tocou a vida, focando desde o início das buscas em um nome estrangeiro. Apesar de alguns técnicos portugueses terem sido especulados e até sondados, Domènec Torrent foi considerado o favorito.

Ele teve pelo menos duas reuniões com dirigentes do Athletico. A primeira foi com o ex-CEO do futebol Alexandre Mattos e o diretor financeiro Márcio Lara. Após a boa impressão de Domènec – e a saída de Mattos para o Vasco -, Mário Celso Petraglia entrou na jogada. O presidente conversou com o treinador na semana passada, e também gostou do que ouviu. Foi explicado que o plano inicial seria de um contrato de um ano, até pela possibilidade da transformação em SAF ainda em 2024. E foi feita uma proposta.

Negócio fechado com o Athletico?

A expectativa de Petraglia, por ora o único responsável pelo mercado da bola do Athletico, era que Domènec Torrent respondesse a proposta rubro-negra até a terça-feira (19). O dia foi de anúncios, mas de reforços para o elenco, os paraguaios Mateo Gamarra e Romeo Benítez. Sobre treinador, nada. Precisando acelerar o processo de montagem do Furacão para o ano do centenário, o presidente ainda aguarda pelo espanhol. Mas, conhecendo-se o temperamento do mandatário, um atraso pode significar o fim abrupto das negociações.

Aos 61 anos, Domènec Torrent tem quatro experiências como treinador principal. Na temporada 2005/06, comandou o Girona, à época ainda não ligado ao Grupo City. Depois de trabalhar 12 anos como auxiliar de Guardiola (no Barcelona, no Bayern de Munique e no Manchester City), o espanhol comandou o New York City, o Flamengo e o Galatasaray, sem resultados expressivos. O técnico tem o aval de Fernandinho, com quem trabalhou na Inglaterra.