Análise: O que o Athletico precisa para convencer e se fortalecer. Está tudo errado?

O Athletico venceu o Andraus por 3 a 1 na sétima rodada do Campeonato Paranaense, mas a vitória não convenceu. Mais do que celebrar os três pontos, o jogo deixou um gosto amargo e levantou questionamentos sobre o desempenho do time comandado por Maurício Barbieri. Apesar do placar favorável, o Furacão mostrou fragilidades que, se não corrigidas, podem comprometer a campanha na competição e, principalmente, na Série B do Campeonato Brasileiro, onde o clube busca o acesso.

Continue after advertising

O jogo começou com um gol rápido do Athletico, o que poderia sugerir uma partida tranquila. No entanto, o que se viu foi um time que pareceu acomodado, sem a intensidade necessária para dominar um adversário que, tecnicamente, está longe de ser um dos melhores do Paranaense. O Andraus, que não ganhou nenhuma partida no campeonato, cresceu no jogo e pressionou o Athletico, expondo falhas na saída de bola, na construção de jogadas e diminui o placar ainda no primeiro tempo.

O segundo gol do Athletico, marcado no final do primeiro tempo, veio em um lance isolado, que após um lançamento a bola sobra com Luiz Fernando que vê o buraco na defesa e chuta pro gol. O terceiro gol, já no segundo tempo, foi fruto de uma jogada bem construída, mas que não refletiu a atuação do time como um todo.

Continue after advertising

Falta de intensidade e problemas táticos

O que mais preocupa não é o resultado em si, mas a maneira como o Athletico alcançou essa vitória. O time mostrou dificuldades para lidar com a pressão do Andraus, um adversário que, em tese, deveria ser dominado com mais facilidade. A saída de bola, que deveria ser um ponto forte do time de Barbieri, foi inconsistente. Em alguns momentos, o Athletico conseguiu quebrar a primeira linha de pressão, mas, na maior parte do jogo, o time pareceu perdido, sem ideias claras para avançar no campo adversário.

Outro ponto que chama a atenção é a falta de intensidade. O Athletico pareceu jogar em um ritmo abaixo do necessário, como se a vitória estivesse garantida após o gol inicial. Essa postura é preocupante, especialmente em um campeonato estadual, onde a competitividade deveria ser maior. O Andraus, mesmo com um elenco limitado, mostrou mais garra e disposição em vários momentos da partida.

Continue after advertising

Barbieri e o desafio de reconstruir o Athletico

É importante lembrar que Maurício Barbieri está há apenas um mês no comando do Athletico e já enfrentou sete jogos nesse período. O treinador ainda está conhecendo o elenco e tentando implementar suas ideias, mas o tempo é curto. O desmanche sofrido pelo clube no último ano, com a saída de 24 jogadores, dificulta ainda mais o trabalho. A chegada de 12 reforços não foi suficiente para repor as peças perdidas, e o time ainda carece de um zagueiro experiente, um volante de qualidade e um ponta veloz.

Barbieri tem mostrado um caminho, com um time que busca ser intenso e elétrico, mas ainda há muito a ser ajustado. A criação de chances tem sido positiva em alguns jogos, mas a falta de eficiência e a dificuldade em lidar com times que pressionam mais alto são problemas que precisam ser resolvidos. Além disso, a defesa tem sido vulnerável em bolas paradas, um ponto que precisa de atenção imediata.

A paciência como aliada

Apesar das críticas, é preciso ter calma. O trabalho de Barbieri ainda está no início, e cobrar resultados imediatos pode ser injusto. O Athletico precisa de tempo para evoluir e encontrar a consistência necessária para brigar pelo acesso à Série A. A direção do clube também tem sua parcela de responsabilidade, já que o mercado de transferências ainda não foi explorado como deveria. Contratações estratégicas são essenciais para dar mais qualidade ao elenco e permitir que o treinador execute seu projeto com mais tranquilidade.

A vitória sobre o Andraus, mesmo que culposa, mantém o Athletico na briga pelo título do Paranaense. No entanto, o que importa agora não é o resultado em si, mas a evolução do time dentro de campo. O caminho é longo, e o torcedor precisa ter paciência. O ano de 2025 não pode repetir os erros de 2024, e a continuidade do trabalho de Barbieri pode ser a chave para um futuro mais promissor. Mas, para isso, é preciso mais do que palavras de apoio: é necessário respaldo no mercado e tempo para que as ideias do treinador floresçam.

Guilherme Venancio

Guilherme Venancio

Journalist graduated from the University of Vale do Itajaí. Member of the Foundation Apito Final.

See more articles by this author →

Leave your opinion