Polícia vai investigar o Corinthians

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A recente investigação da Polícia Civil sobre supostas irregularidades na intermediação do contrato entre o Corinthians e a VaideBet trouxe um choque de realidade para o presidente do clube, Augusto Melo. Desde os primeiros rumores até a reportagem reveladora de Juca Kfouri no UOL, Melo parecia tratar o caso com desdém.

No dia 20 de maio, Kfouri revelou em sua coluna que a Rede Social Media Design, intermediadora do acordo de patrocínio, realizou transferências suspeitas após receber um pagamento de R$ 1,4 milhão de comissão do Corinthians. A empresa transferiu fundos para a Neoway Soluções Integradas, registrada em nome de Edna Oliveira dos Santos, que afirmou desconhecer ser proprietária da empresa.

Em resposta, o Corinthians divulgou uma nota afirmando que, caso fossem apresentadas provas de ilícitos, o Conselho Deliberativo tomaria as providências necessárias. Essa postura, no entanto, deixou a impressão de que o clube estava transferindo a responsabilidade de investigar para terceiros, apesar de seu nome estar diretamente envolvido.

A indignação dos torcedores corinthianos com a suspeita de que alguém possa estar usando o clube para cometer crimes não foi refletida na nota oficial do clube. Apenas após muita pressão interna, principalmente por parte de membros da gestão, o clube decidiu tomar algumas ações. Yun Ki Lee, antes de pedir seu desligamento definitivo do cargo de diretor jurídico, conseguiu que o clube contratasse a Ernst & Young para investigar o caso, além de notificar a Rede Social Media Design para obter explicações.

As transferências suspeitas não foram o único problema. O ex-diretor de futebol Rubens Gomes, conhecido como Rubão, afirmou que o presidente havia garantido que o contrato com a VaideBet foi fechado sem intermediários. Membros da oposição também relataram terem recebido informações semelhantes de Melo.

A tempestade se formava, mas Augusto Melo e seus colaboradores mais próximos pareciam ignorá-la publicamente. Argumentavam que não havia motivo para o Estado investigar o caso. No entanto, na última segunda-feira (27), o delegado Tiago Fernando Correia decidiu abrir uma investigação preliminar, citando a reportagem de Kfouri e mencionando possíveis indícios de desvio de dinheiro, apropriação indébita, furto qualificado e falsidade ideológica.

Agora, o caso está nas mãos da polícia. Se houver irregularidades, elas vão além dos limites do Parque São Jorge. Augusto Melo, que antes afirmava que só afastaria diretores se apresentassem provas contra eles, deve enfrentar a realidade de que a polícia é quem decidirá sobre a comprovação de crimes.

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